"O que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem." (Rubem Alves)

terça-feira, 17 de setembro de 2013

AMC REALIZA CREDENCIAMENTO PARA O USO DE VAGAS ESPECIAIS DE ESTACIONAMENTO

De 18 a 25 de setembro, a partir de 8h, na avenida Beira-Mar, a Unidade Móvel da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC), realiza a emissão de credenciais para idosos e pessoas com deficiência visando a utilização de vagas especiais de estacionamento. A ação integra a programação da Semana de Mobilidade Urbana e Semana Nacional de Trânsito, da Prefeitura de Fortaleza. A credencial é emitida na hora, podendo ser utilizada imediatamente em qualquer veículo que o credenciado esteja trafegando.

Para fazer o cadastro, a pessoa com deficiência tem que apresentar os seguintes documentos: fotocópia do laudo ou atestado médico atestando a deficiência, fotocópia do RG, fotocópia do CPF e fotocópia do comprovante de residência: água, luz ou telefone. Menores de idade precisam acrescentar a fotocópia do documento do responsável. O idoso precisa levar os mesmos documentos, com exceção do laudo médico.

Fiscalização
Nesta quinta-feira, 19, a partir de 15H, a AMC intensificará a fiscalização da ocupação irregular das vagas especiais de estacionamento na avenida Beira-Mar. Agentes de trânsito estarão no local autuando e rebocando os veículos que estiverem infringindo a legislação de trânsito.

Serviço:
Credenciamento de idosos e deficientes para uso das vagas especiais de estacionamento
18 a 21 de setembro
Local: Av. Beira-Mar, em frente à Estátua Iracema Guardiã
Horário: 8h às 18h
22 de setembro
Local: Aterrinho da Praia de Iracema
Horário: 8h às 12h
23 a 25 de setembro
Local: Av. Beira-Mar - Praça dos Estressados
Horário: 8h às 18h

CAMPANHA SEMANA NACIONAL DE TRÂNSITO 2013

Em todo o mundo, o comportamento irresponsável no trânsito, em especial o de dirigir sob efeito de álcool ou outras drogas, é uma preocupação constante das autoridades. Em 2011, a ONU proclamou a Década de Ação pela Segurança no Trânsito e lançou um desafio para os países: reduzir pela metade o número de mortes no trânsito em um prazo de 10 anos.
A campanha desse ano parte de uma realidade impactante, mas que nem sempre é lembrada pelos motoristas: quando um acidente não resulta em óbito, pode deixar graves sequelas em suas vítimas. Em muitos casos, quem sofre o acidente precisa reaprender até as ações mais básicas, como comer, falar e andar. Por isso, a campanha lança mão de casos reais de acidentados que estão passando por esse difícil processo de reabilitação. O conceito dá o comando: “Não deixe um acidente obrigar você a reaprender. Seja você a mudança no trânsito.”

domingo, 15 de setembro de 2013

ESTA VAGA NÃO É SUA NEM POR UM MINUTO!

O vídeo abaixo é sugestão de meu amigo Saraiva Leão. Trata-se, com certeza, de um material que, por si só, nos remete a uma boa ponderação sobre os nossos direitos e os nossos deveres do trânsito. Reflexões e comentários mais aprofundados deixo por conta dos leitores do blog.

VOLKSWAGEN ACABA DE SE TORNAR A MARCA AUTOMOTIVA MAIS SUSTENTÁVEL DO MUNDO

Pela primeira vez, o Grupo Volkswagen foi apontado como o fabricante de automóveis mais sustentável no ranking mundial das empresas líderes em sustentabilidade.
O RobecoSAM AG classificou a empresa como o Grupo Industrial líder do setor de automóveis e componentes na análise deste ano do Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI).
A análise abordou o desempenho de sustentabilidade econômica ambiental e social de um total de 31 empresas automotivas, sete delas da Europa, com referência a critérios como estratégia de proteção ao clima, gestão de inovação e responsabilidade social corporativa.
O presidente do Grupo Volkswagen, Prof. Dr. Martin Winterkorn, comentou: "Esta distinção é um verdadeiro marco em nosso caminho para se tornar o líder em mobilidade verde. Vamos dedicar toda a nossa energia para o estabelecimento permanente do Grupo Volkswagen como o fabricante de automóveis mais sustentável do mundo."
O presidente do Conselho Geral dos Trabalhadores do Grupo Volkswagen, Bernd Osterloh, disse: "Esta conquista comprova o nosso progresso rápido em orientar sistematicamente todo o Grupo rumo à máxima eficiência energética e de uso de recursos. Este sucesso é, sem dúvida, atribuível a toda a equipe. Vamos continuar a focar na gestão sustentável - em toda a cadeia de valor."
Para os investidores financeiros, o Índice Dow Jones de Sustentabilidade é a referência mais importante para se medir o desempenho das empresas mais sustentáveis do mundo.
Graças às melhorias realizadas em todas as áreas, a Volkswagen conquistou a liderança em sustentabilidade, sendo inserida nos privilegiados Índices Dow Jones de Sustentabilidade mundial e europeu.
Os peritos do RobecoSAM concederam ao Grupo Volkswagen 89 dos 100 pontos possíveis, destacando conquistas como "os grandes esforços para melhorar o consumo de combustível dos veículos", no contexto das metas ambiciosas para reduzir as emissões de CO2, e o compromisso de metas de sustentabilidade na Estratégia 2018.
Notas máximas foram atribuídas ao Grupo Volkswagen em muitas áreas, tais como o sistema de gestão ambiental da empresa, gestão de riscos e engajamento positivo na comunidade.
Coincidindo com o novo ranking no Índice Dow Jones de Sustentabilidade, o Grupo Volkswagen também obteve uma melhora significativa na visão do Projeto de Carbono Divulgado (CDP).
De acordo com o Relatório de Alterações Climáticas: CDP Global 500 2013, que acaba de ser publicado, a empresa agora está listada, pela primeira vez, tanto no Índice de Liderança de Desempenho Climático como no Índice de Liderança de Divulgação Climática.
O relatório analisa as iniciativas das maiores empresas do mundo na abordagem de medidas contra a mudança climática.
A classificação da empresa no Nível A de desempenho, com uma pontuação de 99 dos 100 pontos possíveis, confirma que a qualidade dos dados ambientais publicados pelo Grupo Volkswagen é reconhecido como sendo exemplar.
Ao mesmo tempo, os próprios dados de desempenho estão entre os melhores.
Este ano, o Grupo Volkswagen foi um dos signatários de um programa de mudança climática que, segundo o relatório de CDP, foi iniciado por 722 investidores com ativos de US$ 87 bilhões, trazendo transparência ao grande volume de informações sobre as medidas de proteção do clima e permitindo, assim, verificação e auditoria.
O Projeto de Carbono Divulgado (CDP) se descreve como uma organização internacional sem fins lucrativos fornecendo o único sistema global para empresas e cidades para medir, divulgar, gerenciar e compartilhar informações ambientais vitais.

sábado, 14 de setembro de 2013

MOTORISTA INDENIZA VÍTIMA SE ACIDENTE É CULPA DE AMBOS

Quando a responsabilidade por um atropelamento é dividida entre vítima e motorista, sendo que o segundo atua de forma negligente e imprudente, é devida indenização por danos morais à vítima. Com base em tal entendimento, a 4ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina rejeitou Apelação Cível e manteve a condenação de um motorista ao pagamento de R$ 104 mil à família de um homem. Atropelado enquanto tentava evitar que um de seus três filhos fosse atingido pelo veículo em avenida de São Cristóvão do Sul, ele morreu instantes após o acidente.
Relator do caso, o desembargador Luiz Fernando Boller explicou que por trafegar acima da velocidade e na contramão, o motorista desrespeitou o Código Brasileiro de Trânsito. A velocidade superior ao permitido e o tráfego na contramão foram provados pelo laudo pericial e através dos testemunhos colhidos, aponta ele. Assim, não há como acolher a tese de que o filho de Osnildo de Jesus Pires Júnior tenha sido o único culpado pelo acidente, continua.
Segundo Boller, o condutor teria cruzado a pista e atingiria o garoto na mão contrária. Para tentar evitar a tragédia, o pai atirou-se na frente do veículo, morrendo logo depois, em consequência de uma parada cardíaca decorrente do traumatismo craniano encefálico. Para o relator, é inequívoco o dano moral causado pela tragédia, o que justifica o pagamento de indenização à mulher de Osnildo e aos três filhos do casal.
Condenado em primeira instância, o condutor recorreu apontando que o único culpado pelo acidente fora o filho de Osnildo, que estava parado na avenida sem razão aparente. Para Boller, seguido de forma unânime pelos colegas de Câmara, tanto o garoto quanto o motorista são responsáveis pelo acidente. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-SC.

Clique aqui para ler a decisão. 

sábado, 7 de setembro de 2013

A SOLUÇÃO PARA MOBILIDADE URBANA? ÔNIBUS, DIZ PEÑALOSA

Ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia, ficou famoso ao estimular o uso de bicicletas, mas comprou briga quando restringiu o uso de carros. 

Tomo a iniciativa de compartilhar com os leitores do blog, excelente entrevista cedida por HENRIQUE PEÑALOSA  ao portal Exame.com. Vale a pena ler toda a entrevista e refletir com esse renomado consultor em urbanismo e transporte.

São Paulo – As cidades precisam dificultar o uso dos carros e cortar estacionamentos em ruas. Mais: não é papel do governo encontrar solução para os problemas das pessoas que usam carros. Esta é a opinião de Enrique Peñalosa, colombiano especialista em mobilidade urbana e ex-prefeito de Bogotá, capital da Colômbia.
“Um ônibus com cem passageiros tem direito a cem vezes mais espaço de vias do que um carro com um”, diz Peñalosa em entrevista por telefone a EXAME.com.
Em Bogotá, entre 1998 e 2001, ele foi responsável por medidas que seguem esta visão: construiu mais de 300 km de ciclovias, restringiu tráfego de carros em horários específicos, proibiu o estacionamento em calçadas e o restringiu no centro da cidade, além de construir vias exclusivas para trajetos de ônibus. Para os pedestres, as calçadas foram alargadas e mais de mil parques foram construídos ou totalmente reformados.
No último ano do mandato de Peñalosa, a cidade de mais de 7,1 milhões de habitantes recebeu o prêmio Stockholm Challenge pelo seu sistema de transporte de massa baseado em ônibus, o TransMilenio, que foi inspirado nos BRT de Curitiba, no Brasil.
Antes do sistema, em 1998, uma viagem de 30km no transporte público levaria 2 horas e 15 minutos. Dez anos depois, o mesmo trajeto é feito em 55 minutos, segundo Angelica Castro, ex-gerente do TransMilenio, em entrevista em 2008 para Streetfilms. O sistema é intermodal, com ciclovias que levam até as estações e estacionamentos gratuitos para bicicletas. Alguns pequenos ônibus trafegam pelas ruas menores levando pessoas para as estações do TransMilenio, de graça.
Cerca de 1,4 milhão de pessoas usam o transporte por ônibus rápidos criado e implementado na administração de Peñalosa todos os dias em Bogotá. A principal diferença do sistema está, além do uso de faixas exclusivas para eles, nas estações. Elas se parecem com estações de metrô, onde o pagamento é feito previamente e as plataformas são niveladas com o chão do ônibus.
Bogotá ainda tem problemas com trânsito e congestionamento, mas se orgulha, além do TransMilenio, de ser uma cidade que promove o ciclismo. “Hoje, ainda que seja muito pouco, para cada três pessoas que andam de carro, uma anda de bicicleta”, diz o ex-prefeito. Por lá, porém, ele admite que ainda faltam muitas coisas a serem feitas.
Hoje consultor em urbanismo e transporte, Peñalosa viaja da Ásia à América Latina: “Faço assessoria em estratégias para fazer cidades mais sustentáveis”, explica. Em outubro, o ex-prefeito desembarca no Brasil.
EXAME.com – Quando o senhor foi prefeito de Bogotá, mudou radicalmente as políticas públicas da cidade. Qual foi o raciocínio para esta mudança de perspectiva?
Enrique Peñalosa – Nós tínhamos alguns princípios claros. O primeiro era que a questão da mobilidade não se pode resolver com base no automóvel particular. É bom dizer que um ônibus no meio do tráfego é tão antidemocrático quanto não permitir que as mulheres votem. Em todas as constituições está escrito que os cidadãos são iguais perante a lei. Então, se todos os cidadãos são iguais, um ônibus com cem passageiros tem direito a cem vezes mais espaço nas vias do que um carro com um.
EXAME.com – Este é um conceito difícil de se vender para uma cidade que se baseia no transporte em carros. Como você convenceu a população de que isso era o melhor?
Peñalosa –
 Bom, por isso te digo: com esses argumentos. É preciso, claro, que as faixas realmente funcionem. Precisa de coisas como estações para pagamento para que, quando chegue um ônibus, em segundos se possam descer cinquenta pessoas e subir outras cinquenta pessoas.
EXAME.com – E isso acabaria com os engarrafamentos?
Peñalosa – 
Não, ter mais vias não acaba com o trânsito porque o que gera o engarrafamento não é o número de carros, por mais estranho que isso pareça. O que causa trânsito é, primeiramente, o número de viagens que as pessoas fazem e quão longe elas vão.
Para efeitos de tráfego, é o mesmo ter dez carros que percorrem um quilômetro cada do que ter um carro que percorre dez quilômetros. A questão da mobilidade se soluciona com os transportes públicos, mas não a do trânsito. Você pode ter uma linha de metrô embaixo de cada rua em São Paulo e e ainda assim não vai melhorar o trânsito. 

EXAME.com – Então, como se reduz o número de viagens para melhorar o trânsito?
Peñalosa –
 Somente restringindo o uso de carros. Aí há várias maneiras: pode haver pedágio urbano, cobranças em certas vias, pode ter uma gasolina mais cara, pode ter um rodízio como vocês têm. Mas a melhor maneira de reduzir o uso do carro é restringir o estacionamento.

EXAME.com – Acabar com estacionamentos nas ruas?
Peñalosa – Sim. Há muitos carros onde deveriam haver calçadas. Esta é a primeira coisa que destrói a qualidade humana da cidade. E aqui tem um ponto que é importante ter claro: o governo não tem nenhuma obrigação de resolver os problemas de estacionamento. 
EXAME.com – No Brasil e em outros países, investe-se muito em metrôs e trens para a questão da mobilidade urbana, mas eu ouço o senhor falar muito mais em ônibus. Metrô não é solução?
Peñalosa – 
Os políticos adoram investir em trens e metrôs porque politicamente isso é fácil, muito fácil. Gasta muito dinheiro, mas não tem discussão com ninguém. Os cidadãos que têm carros querem que façam mais linhas não porque vão usá-las, mas porque acreditam que outros vão e isso vai diminuir o trânsito. Não há conflito com o espaço dos carros.
Mas os trens e metrôs são excessivamente caros. Você pode fazer, com o mesmo custo que faz um quilômetro de metrô, trinta de faixas exclusivas para BRT. A solução não é um problema técnico, nem econômico, é um desafio político.
E há mais vantagens. Veja bem, é muito mais agradável ir na superfície, com a luz natural, do que ir enterrado embaixo da terra, como um rato. Não me parece democrático enterrar os usuários de transporte público. É loucura. Que se enterrem as pistas de carros, é muito fácil fazer pistas subterrâneas para carros, mas os cidadãos que usam o transporte público são heróis.
Quando bem instalados, os BRTs são mais rápidos, podem mudar de linhas sem isso de baldeação, têm estações mais próximas. Agora, é preciso mais de uma faixa em cada estação para a existência de ônibus expressos.
Obviamente, é possível que também sejam necessárias linhas de metrô, mas antes de tudo temos de aproveitar democraticamente os espaço de vias que já temos.
EXAME.com – Ainda assim, medidas como essas são garantia de uma briga com parcela grande da população.
Peñalosa – 
Então, eu vi que quando houve os protestos no Brasil, a presidente saiu correndo dizendo que iam investir em mais linhas de trem. Mas esta é a reação emocional, não a mais técnica. É mais difícil politicamente, claro, tirar espaço dos carros para dar mais espaço a ônibus, bicicletas e pedestres. É mais difícil, mas é a única solução. 
O sistema com base em ônibus não é apenas o melhor, mas é o único possível. Não existem soluções mágicas. Quando você pensa em cidades com poucos carros e com muitas restrições aos carros parece um sonho louco. Mas essas cidades não só são possíveis, como existem e têm êxito. Como por exemplo Manhattan, em Nova York, Londres ou Paris. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013